quarta-feira, 29 de maio de 2019

HM na Guarda


Foi a nossa terceira passagem pela biblioteca Eduardo Lourenço na Guarda. Desta vez, quem nos recebeu foi a Marta Costa que já conhecíamos da altura em que a biblioteca era coordenada pelo Américo Rodrigues. Mantém-se a "sala do conto", pequenina, mas muito versátil e com óptima acústica. Tivemos uma turma de manhã com crianças do quarto ano e duas turmas à tarde com crianças do segundo ano que, infelizmente, viram o atelier inesperadamente interrompido pelas suas professoras para que pudessem chegar a horas ao ATL na escola que fica ali ao lado! Esta falta de flexibilidade de alguns professores em relação a horários, programas, calendários, etc, pode ser um entrave muito grande. Parece que tudo o que é complementar à escola, é secundário e dispensável. Por isso é que as ações de formação para professores e a atualização permanente dos processos de ensino são tão importantes, acho eu.
Preparámos o "Nungu e a Senhora Hipopótamo" com algumas inovações: uma intro mais extensa de guitarra solo e novo material para as actividades do atelier.  Esta história levanta questões muito importantes para conversar com as crianças: a importância da água na vida do planeta, o que é viver "com quase nada" (passámos excertos do documentário fabuloso de Carlos Barroco com o mesmo nome filmado em Cabo Verde e sobre os brinquedos construídos pelas crianças locais), as diferenças culturais nomeadamente a relação com a nudez, com o corpo, a música, as danças, as brincadeiras, entre outras. Fizemos música juntos com instrumentos tradicionais, guitarra e frases do texto.
Obrigado a todos e todas as participantes e à Marta Costa que, como sempre, nos ajudou e acompanhou em todas as sessões. Foi muito bom voltar a esta biblioteca exemplar e espero que as HM possam regressar com outras histórias.






















terça-feira, 23 de abril de 2019

Alex



Alex Weil (1951-2019). O Alex era o meu primo americano. Foi ele que primeiro me acolheu e mostrou NY em 1985 quando por lá passei para estudar guitarra Jazz. Para além da sua generosidade infinita, ele era um artista fabuloso, sempre o melhor e o mais inovador em tudo o que se propunha fazer. Foi fundador e trabalhou até ao fim na ultra-bem sucedida “Charlex”, a empresa que criou para realizar vídeos musicais, filmes publicitários, entre outros. Aqui fica You Might Think que ele realizou em 1984 para a banda The Cars, que ganhou o prémio MTV para melhor vídeo desse ano e que é maravilhoso, totalmente revolucionário e inovador. 
Obrigado por tudo Alex, I love you!

Alex Weil (1951-2019). Alex was my american cousin. It was him who hosted and showed me NY in 1985 when I went there to study jazz guitar. Beyond his infinite generosity, he was a fabulous artist, always the best and innovator in whatever project he was working on. He founded and worked until the end at the super successful Charlex, the company he created to make music videos and commercials, among others. Here is You Might Think  wich he directed in 1984 for The Cars. It’s marvellous, revolutionary, totally innovator and won the MTV award for best music video of that year. 
Thank you for everything Alex, I love you!









quinta-feira, 28 de março de 2019

Uma guitarra




O guitarrista irlandês Tommy Halferty começou uma vez uma aula olhando para a guitarra dele e dizendo que a primeira coisa que tínhamos que aprender era a amar o nosso instrumento. 
Numa entrevista, depois de ter perdido grande parte das suas guitarras num incêndio terrível na sua casa, John Abercrombie disse que se tinha apercebido nesse momento que uma guitarra não passa de um pau com 6 cordas, arranja-se outra e a vida continua.
Eu nunca tratei especialmente bem as minhas guitarras. Nunca tive grande curiosidade em saber como é que são construídas. Desde que toquem, eu adapto-me e faço o resto. 
Mas hoje escrevo isto porque descobri que estou verdadeiramente apaixonado pela minha Yamaha acústica. 
Comprei-a em 1996 por 100 dólares numa visita aos EUA, mais concretamente à cidade de Durham onde tinha ido operar o som de uma peça da coreógrafa Vera Mantero e filmar umas imagens para um vídeo que o Ruy Otero estava a fazer para a peça "Road Movie" de Sílvia Real. Nos momentos mortos, passeava-me por aquela cidade horrível cujas lojas da avenida principal variavam entre lojas de armas e restaurantes de fast-food.  Estava um calor abrasador o tempo todo e uma tarde, para fugir ao sol de chapa, enfiei-me por uma rua transversal e descobri uma loja de instrumentos musicais. Entrei, claro. Deparei com um cenário de um western: uma loja vazia à meia-luz, guitarras penduradas por todo o lado, cobertas de pó. No meio da escuridão, vislumbrei uns botins sobre uma mesa na ponta de umas pernas agarradas a um tronco que suportava uma cabeça coberta por um chapéu debaixo do qual se via um grande bigode e fumo. Era uma pessoa e não se mexia. Percebi que eu devia ser o primeiro cliente em anos. Lá vociferou qualquer coisa, eu cumprimentei-o, dei uma volta pela loja e saí. Infelizmente, eu tinha muito pouco dinheiro. Mas no dia seguinte voltei e comprei um Fender Jazz Bass por 100 dólares. E voltei lá também no dia seguinte. “Sérgio, my best customer!” disse o dono quando eu entrei. E saí com a minha primeira guitarra Folk - uma Yamaha FG-441S fabricada em Taiwan - dentro de uma linda caixa preta de cartão prensado onde o vendedor colou o autocolante que ainda lá está: "The Music Loft". 
Durante mais de 18 anos, nunca me dei bem com ela mas também nunca a vendi. Sempre a tratei como um brinquedo e quando o meu filho nasceu, entreguei-lhe o objecto para ele fazer o que quisesse dele. Levou muita pancada, mas resistiu sempre. 
Até que um dia, resolvi levá-la ao luthier Roberto Mateus que me disse logo que já nem as Yamaha topo de gama usam madeiras daquela qualidade, ainda por cima bem envelhecida! Tinha na mão um excelente instrumento. Com meia dúzia de acertos, o Roberto devolveu-me uma guitarra cujo som não pára de crescer de dia para dia e com a qual acabei por gravar o CD quase todo das Histórias Magnéticas. 
Agora só me apetece tocar nesta guitarra e estamos mesmo agarrados um ao outro.

HM na Biblioteca de São Lázaro - Lisboa


Foi esta manhã que estivemos na Biblioteca de São Lázaro a fazer "Enquanto o meu cabelo crescia" de Isabel Minhós Martins para uma turma do primeiro ano da Escola Municipal nº1 de Lisboa.
Tratou-se da nossa segunda visita a esta belíssima biblioteca cujo serviço educativo é dirigido (e muito bem!) por Ana Martins.

Foram 24 crianças entre os 6 e os 7 anos. Era um grupo habituado à biblioteca (a escola fica a paredes meias), a ouvir histórias e a requisitar livros. Até já conheciam esta história que lhes tinha sido contada há pouco tempo pela Ana Martins num pequeno ciclo dedicado a mulheres escritoras! Mas a história é muito magnética e talvez por isso e também pela nossa forma particular de a contar, eles ouviram muito concentrados como se fosse a primeira vez e participaram com todo o gosto na conversa e nas actividades seguintes.

Gostámos muito de voltar a este sítio e esperamos poder regressar com outras histórias!

Obrigado a todos!