quarta-feira, 12 de dezembro de 2018

HM na Antena 2


Foi hoje, entre as 7 e as 10h da manhã no programa "Império dos sentidos", vários excertos (e não só) do nosso novo CD:



domingo, 2 de dezembro de 2018

Festa de lançamento do CD


Foi ontem a festa de lançamento do nosso CD, no Teatro da Voz. De manhã tinha acontecido no mesmo espaço uma "Aula Mínima" pelo jovem guitarrista Simão Bárcia (para acabar de uma vez por todas com as "Master Classes") e, na segunda feira, a Sílvia Real e o Francisco Camacho retomam aqui os ensaios de um novo trabalho, o pianista Simão Costa, numa sala escondida, explora novos sons e o videasta Bruno Canas, noutro canto, monta em frente a um ecrãn. É aqui também que os alunos da Voz do Operário tem aulas curriculares e complementares de dança-teatro, música e direitos humanos organizadas pela Real Pelágio/Centro de Formação Artística. E pelo meio, há os ensaios de vários artistas. No escritório, a Sofia e a Susana produzem a Real Pelágio e a Teresa e o Tiago representam a Eira. O antigo Teatro da Graça é agora o novo Teatro da Voz e desde 2013 que não pára!
Obrigado a todos os que trabalham todos os dias neste espaço por proporcionarem à cidade um lugar com um espírito único, uma energia tão positiva (e por apoiarem as Histórias Magnéticas!).
Por isso, foi o melhor sítio de todos para fazermos o lançamento do nosso CD. Obrigado aos amigos, colaboradores e todos os outros que apareceram.





"Um estranho barulho de asas" + João Paulo Abreu



quinta-feira, 22 de novembro de 2018

HM no Museu das Marionetas de Lisboa (Festival InShadow)


O tema do festival é "sombras" e por isso escolhemos apresentar o conto macaense "Um estranho barulho de asas" e pedir ao João Paulo que desenhasse em tempo real, inspirado no teatro de sombras chinês. Foi muito bom tocar e improvisar ao mesmo tempo que as ilustrações se íam desenvolvendo. A minha referência foram também uns programas de tv muito antigos em que alguém narrava uma história e um ilustrador desenhava por detrás de um vidro fosco e então os traços pareciam surgir do nada. Apenas traços negros sobre o branco, nada mais, e o resultado era mágico. No nosso caso, invertemos a ordem para que o fundo preto funcionasse como o céu nocturno.
Os desenhos que o João Paulo inventou, são lindos e transportaram-nos mesmo para o espaço!

Tivemos duas turmas com crianças entre os 4 e os 5 anos. Como eram muitas, cerca de 50, não foi possível fazer as actividades previstas para o atelier. Mas a conversa fluiu sem problema nenhum. Muitos gostaram de referir que os seus avós eram agora estrelas e estavam por isso próximos de Tchêk Noi e Ngau Long, os heróis celestiais da nossa história.
Gostámos muito e, felizmente, amanhã repetimos às 10h30.
(obrigado Rui Seabra/Teatro das Marionetas pela ajuda e acompanhamento técnico)






























sábado, 17 de novembro de 2018

Biblioteca de Belém (post 2)
























Biblioteca de Belém - Lisboa


Fizemos hoje à tarde, pelas 15h30, "Um estranho barulho de asas" na Biblioteca de Belém em Lisboa.
Contámos pela primeira vez com a colaboração do ilustrador João Paulo Abreu que desenhou em tempo real. Foi um ensaio para as apresentações no Festival Inshadow, já para a semana. O João Paulo uniu estrelas para chegar aos desenhos-constelação do Imperador de Jade, da princesa Tchêk Noi e do seu amado Ngau Lóng. Foi diferente contar com a presença da imagem que, no contexto desta história ancestral oriental, remete inevitavelmente para o teatro de sombras chinês. Era essa a ideia e acho que funcionou muito bem (obrigado João Paulo!).
Esta biblioteca fica num palácio lindo de Belém e, pelo que presenciámos, tem um programa de actividades enorme, como deveria acontecer em todas as bibliotecas. As responsáveis receberam-nos muito bem e fizeram questão de acompanhar e assistir à nossa sessão. Não fazia sentido que fosse de outra forma mas infelizmente, é o que acontece em tantos outros sítios...
Tivemos a sala cheia com um grupo de crianças e pais muito simpático e muito participativo. Lá fora chovia e a tarde passou depressa e bem no meio de livros, dentro de uma sala acolhedora de uma biblioteca "viva". Obrigado a todos! (as fotografias da sessão serão publicadas no próximo post)


quarta-feira, 14 de novembro de 2018

Zohra: uma partitura para a liberdade


Ontem, como acontece quase todos os dias, enquanto fazia o jantar, liguei o rádio que está sempre sintonizado na Antena 2. Adoro esta rotina. Tenho um daqueles tijolos velhos indestrutíveis da Grundig que herdei do meu pai, com excelente som stereo, apesar da camada de gordura.  Adoro cozinhar e ouvir ao mesmo tempo as entrevistas do Luis Caetano, os concertos em directo, tudo.  Deve ser uma das melhores estações do mundo. Farto-me de aprender. Este momento do dia é, por isso, sagrado para mim: consigo desligar das obrigações todas e entre o cheiro dos cozinhados, as músicas que não conheço e as reflexões das vozes da rádio, viajo, aprendo e inspiro-me.

Ontem, ouvi uma reportagem fora de série da jornalista Isabel Meira que me comoveu até às lágrimas. Ali estava eu, no conforto da minha cozinha, a levar em cima com uma realidade bem distante, esquecida e diferente de um grupo de raparigas que tocam na orquestra afegã ZOHRA. No Afeganistão, estas raparigas arriscam a sua vida e a dos seus familiares porque querem estudar música, é tão simples quanto isto. Uma delas, diz a certa altura com toda a determinação e coragem, que não vai desistir nunca porque, mesmo que seja morta, outra rapariga vai substituí-la e o importante é continuar a luta para que as gerações futuras possam ter a liberdade que elas não têm.

Obrigado Isabel Meira, obrigado Antena 2 por dar voz ao que é importante e continuar todos os dias, todas as horas e minutos, a difundir e partilhar informação relevante e não a merda de lixo com que todas as rádios e televisões vergadas às regras do mercado, nos sujam todos os dias.

OBRIGATÓRIO OUVIR, DIFUNDIR E PARTILHAR. AQUI!






quinta-feira, 1 de novembro de 2018

Gravação CD 2


Aqui fica uma foto com o André Tavares que gravou, misturou e masterizou o CD, tirada pelo Mário Franco depois de nos ter dado uma ajuda preciosa na fase final da mistura.
Obrigado aos 2!



sexta-feira, 26 de outubro de 2018

quinta-feira, 4 de outubro de 2018

ALIS UBBO de Paulo Abreu


Aqui fica um teaser do último filme de Paulo Abreu - Alis Ubbo  - cuja banda sonora incluí muita música que eu gravei para espectáculos de dança. Vai estrear no DOC Lisboa 2018.
COMPETIÇÃO PORTUGUESA/ PORTUGUESE COMPETITION
OCT 20 / 16.00, São Jorge – Sala M. Oliveira
OCT 22 / 16.30, São Jorge – Sala 3
Apareçam!



Próximos espectáculos das HM


NOVEMBRO

Dia 17, Biblioteca de Belém, "Um estranho barulho de asas"- Lisboa
Dias 22 e 23, Festival InShadow 2018, "Um estranho barulho de asas" Museu da Marioneta - Lisboa

DEZEMBRO

Dia 1, Teatro da Voz, "A bomba e o general"- Lisboa
Dia9, Solar dos Zagallos , "Uma galinha"- Almada
Dia 12, Biblioteca Municipal, "Uma galinha" - Figueira da Foz
Dia 15, Biblioteca dos Coruchéus, "Uma galinha" - Lisboa

segunda-feira, 1 de outubro de 2018

Ainda a recuperar o tempo perdido


Quando tinha 19 anos e decidi ir para Nova Iorque estudar guitarra Jazz, estava também desejoso de sair de um país que tinha ficado para trás em tudo. 
Chegado ali, apanho o meu primeiro taxi e o condutor era Kelvin Bell, um guitarrista que eu tinha visto actuar poucos meses antes em Cascais no grupo do saxofonista Arthur Blythe
Na rua, fui esmagado pela beleza dos graffiti desenhados nos comboios que circulavam nas pontes.
No restaurante onde arranjei trabalho como busboy, os meus colegas eram todos artistas, pintores, fotógrafos, bailarinos e a maioria eram homosexuais que não precisavam de se esconder. 
O meu professor de guitarra foi John Abercrombie, que eu idolatrava (e ainda idolatro), e que vivia num modesto apartamento onde estava no meio da sala a bateria do seu amigo Jack Dejohnette.
A Knitting factory estava no auge e o John Zorn misturava tudo o que havia para misturar.
Em Canal Street ouviam-se, trocavam-se e vendiam-se cassetes de artistas RAP.
Os trabalhos de Keith Haring e Basquiat estavam nos principais museus.
Os meus vizinhos eram afro-americanos, hispânicos, chineses e judeus.
Eu tinha uma bicicleta e voava diariamente por entre as filas de transito para não perder nada disto, para recuperar o tempo perdido passado num país que tinha sido fechado ao mundo.
NY superou as minhas expectativas:  existia mesmo um lugar na terra livre de formalismos bacocos, de tratamento por Sr.Dr. ou Sra.Dra, de gente respeitável só porque é de boas famílias ou porque se doutorou não sei onde, de bocas e atitudes machistas, homofóbicas e racistas, do respeito pela tradição só porque é tradição, livre de moralismos paralizantes, livre do medo de se poder gostar demasiado de viver, sem medo do corpo, livre das famílias-prisão, do bom-gosto, da obediência aos "grandes-valores".  
E eu então pensava que todos os portugueses deviam ter a possibilidade de viver, estudar e trabalhar em NY durante um ou dois anos só para limparem a cabeça de todos as tretas e preconceitos que a sociedade portuguesa nos tinha enfiado. Agora não sei onde é esse lugar, mas nos anos 80 era NY.
Entretanto já se passaram 30 anos e eu estava convencido que um dos efeitos destas misturas saudáveis dos anos 80 (entretanto generalizadas) tinha sido arrumar de uma vez por todas as questões à volta de definições do que é ou não é arte e que censurar e proibir é um disparate. 
Mas em Portugal, há um museu que ainda se atrapalha com as fotos do Robert Mapplethorpe e interditaram o acesso livre a todas as salas de uma exposição. E há jornalistas e gente a defender esta posição com o velho argumento de que andamos a perder tempo com arte moderna em vez de cuidar do património histórico e que as fotos do Mapplethorpe não são arte. 
É ridículo, mas é assim que me apercebo de que ainda nos falta recuperar tanto do tempo perdido…

sábado, 29 de setembro de 2018

Proibir não vale


A actual direcção do museu de Serralves é incompetente e não está preparada para organizar exposições como a do R. Mapplethorpe. Atrapalhou-se com as fotos e então fez a coisa mais estúpida que podia ter feito que foi proibir o acesso de duas salas a menores de 18 anos. A seguir ajeitou a coisa e afinal os menores de 18 já podem entrar desde que acompanhados por um adulto.   

Isto passa-se no "maior", no "melhor", no "mais importante", no "grande", no "mais considerado", no museu "mais tudo" de Portugal, como é tantas vezes referido. 

Neste momento não é de certeza.

A direcção devia pedir desculpa, demitir-se como fez o curador e dar a vez a outros, aptos para a função e que se demarquem rapidamente deste grupo infeliz.