sábado, 17 de novembro de 2018

Biblioteca de Belém (post 2)
























Biblioteca de Belém - Lisboa


Fizemos hoje à tarde, pelas 15h30, "Um estranho barulho de asas" na Biblioteca de Belém em Lisboa.
Contámos pela primeira vez com a colaboração do ilustrador João Paulo Abreu que desenhou em tempo real. Foi um ensaio para as apresentações no Festival Inshadow, já para a semana. O João Paulo uniu estrelas para chegar aos desenhos-constelação do Imperador de Jade, da princesa Tchêk Noi e do seu amado Ngau Lóng. Foi diferente contar com a presença da imagem que, no contexto desta história ancestral oriental, remete inevitavelmente para o teatro de sombras chinês. Era essa a ideia e acho que funcionou muito bem (obrigado João Paulo!).
Esta biblioteca fica num palácio lindo de Belém e, pelo que presenciámos, tem um programa de actividades enorme, como deveria acontecer em todas as bibliotecas. As responsáveis receberam-nos muito bem e fizeram questão de acompanhar e assistir à nossa sessão. Não fazia sentido que fosse de outra forma mas infelizmente, é o que acontece em tantos outros sítios...
Tivemos a sala cheia com um grupo de crianças e pais muito simpático e muito participativo. Lá fora chovia e a tarde passou depressa e bem no meio de livros, dentro de uma sala acolhedora de uma biblioteca "viva". Obrigado a todos! (as fotografias da sessão serão publicadas no próximo post)


quarta-feira, 14 de novembro de 2018

Zohra: uma partitura para a liberdade


Ontem, como acontece quase todos os dias, enquanto fazia o jantar, liguei o rádio que está sempre sintonizado na Antena 2. Adoro esta rotina. Tenho um daqueles tijolos velhos indestrutíveis da Grundig que herdei do meu pai, com excelente som stereo, apesar da camada de gordura.  Adoro cozinhar e ouvir ao mesmo tempo as entrevistas do Luis Caetano, os concertos em directo, tudo.  Deve ser uma das melhores estações do mundo. Farto-me de aprender. Este momento do dia é, por isso, sagrado para mim: consigo desligar das obrigações todas e entre o cheiro dos cozinhados, as músicas que não conheço e as reflexões das vozes da rádio, viajo, aprendo e inspiro-me.

Ontem, ouvi uma reportagem fora de série da jornalista Isabel Meira que me comoveu até às lágrimas. Ali estava eu, no conforto da minha cozinha, a levar em cima com uma realidade bem distante, esquecida e diferente de um grupo de raparigas que tocam na orquestra afegã ZOHRA. No Afeganistão, estas raparigas arriscam a sua vida e a dos seus familiares porque querem estudar música, é tão simples quanto isto. Uma delas, diz a certa altura com toda a determinação e coragem, que não vai desistir nunca porque, mesmo que seja morta, outra rapariga vai substituí-la e o importante é continuar a luta para que as gerações futuras possam ter a liberdade que elas não têm.

Obrigado Isabel Meira, obrigado Antena 2 por dar voz ao que é importante e continuar todos os dias, todas as horas e minutos, a difundir e partilhar informação relevante e não a merda de lixo com que todas as rádios e televisões vergadas às regras do mercado, nos sujam todos os dias.

OBRIGATÓRIO OUVIR, DIFUNDIR E PARTILHAR. AQUI!






quinta-feira, 1 de novembro de 2018

Gravação CD 2


Aqui fica uma foto com o André Tavares que gravou, misturou e masterizou o CD, tirada pelo Mário Franco depois de nos ter dado uma ajuda preciosa na fase final da mistura.
Obrigado aos 2!



sexta-feira, 26 de outubro de 2018

quinta-feira, 4 de outubro de 2018

ALIS UBBO de Paulo Abreu


Aqui fica um teaser do último filme de Paulo Abreu - Alis Ubbo  - cuja banda sonora incluí muita música que eu gravei para espectáculos de dança. Vai estrear no DOC Lisboa 2018.
COMPETIÇÃO PORTUGUESA/ PORTUGUESE COMPETITION
OCT 20 / 16.00, São Jorge – Sala M. Oliveira
OCT 22 / 16.30, São Jorge – Sala 3
Apareçam!



Próximos espectáculos das HM


NOVEMBRO

Dia 17, Biblioteca de Belém, "Um estranho barulho de asas"- Lisboa
Dias 22 e 23, Festival InShadow 2018, "Um estranho barulho de asas" Museu da Marioneta - Lisboa

DEZEMBRO

Dia 1, Teatro da Voz, "A bomba e o general"- Lisboa
Dia9, Solar dos Zagallos , "Uma galinha"- Almada
Dia 12, Biblioteca Municipal, "Uma galinha" - Figueira da Foz
Dia 15, Biblioteca dos Coruchéus, "Uma galinha" - Lisboa

segunda-feira, 1 de outubro de 2018

Ainda a recuperar o tempo perdido


Quando tinha 19 anos e decidi ir para Nova Iorque estudar guitarra Jazz, estava também desejoso de sair de um país que tinha ficado para trás em tudo. 
Chegado ali, apanho o meu primeiro taxi e o condutor era Kelvin Bell, um guitarrista que eu tinha visto actuar poucos meses antes em Cascais no grupo do saxofonista Arthur Blythe
Na rua, fui esmagado pela beleza dos graffiti desenhados nos comboios que circulavam nas pontes.
No restaurante onde arranjei trabalho como busboy, os meus colegas eram todos artistas, pintores, fotógrafos, bailarinos e a maioria eram homosexuais que não precisavam de se esconder. 
O meu professor de guitarra foi John Abercrombie, que eu idolatrava (e ainda idolatro), e que vivia num modesto apartamento onde estava no meio da sala a bateria do seu amigo Jack Dejohnette.
A Knitting factory estava no auge e o John Zorn misturava tudo o que havia para misturar.
Em Canal Street ouviam-se, trocavam-se e vendiam-se cassetes de artistas RAP.
Os trabalhos de Keith Haring e Basquiat estavam nos principais museus.
Os meus vizinhos eram afro-americanos, hispânicos, chineses e judeus.
Eu tinha uma bicicleta e voava diariamente por entre as filas de transito para não perder nada disto, para recuperar o tempo perdido passado num país que tinha sido fechado ao mundo.
NY superou as minhas expectativas:  existia mesmo um lugar na terra livre de formalismos bacocos, de tratamento por Sr.Dr. ou Sra.Dra, de gente respeitável só porque é de boas famílias ou porque se doutorou não sei onde, de bocas e atitudes machistas, homofóbicas e racistas, do respeito pela tradição só porque é tradição, livre de moralismos paralizantes, livre do medo de se poder gostar demasiado de viver, sem medo do corpo, livre das famílias-prisão, do bom-gosto, da obediência aos "grandes-valores".  
E eu então pensava que todos os portugueses deviam ter a possibilidade de viver, estudar e trabalhar em NY durante um ou dois anos só para limparem a cabeça de todos as tretas e preconceitos que a sociedade portuguesa nos tinha enfiado. Agora não sei onde é esse lugar, mas nos anos 80 era NY.
Entretanto já se passaram 30 anos e eu estava convencido que um dos efeitos destas misturas saudáveis dos anos 80 (entretanto generalizadas) tinha sido arrumar de uma vez por todas as questões à volta de definições do que é ou não é arte e que censurar e proibir é um disparate. 
Mas em Portugal, há um museu que ainda se atrapalha com as fotos do Robert Mapplethorpe e interditaram o acesso livre a todas as salas de uma exposição. E há jornalistas e gente a defender esta posição com o velho argumento de que andamos a perder tempo com arte moderna em vez de cuidar do património histórico e que as fotos do Mapplethorpe não são arte. 
É ridículo, mas é assim que me apercebo de que ainda nos falta recuperar tanto do tempo perdido…

sábado, 29 de setembro de 2018

Proibir não vale


A actual direcção do museu de Serralves é incompetente e não está preparada para organizar exposições como a do R. Mapplethorpe. Atrapalhou-se com as fotos e então fez a coisa mais estúpida que podia ter feito que foi proibir o acesso de duas salas a menores de 18 anos. A seguir ajeitou a coisa e afinal os menores de 18 já podem entrar desde que acompanhados por um adulto.   

Isto passa-se no "maior", no "melhor", no "mais importante", no "grande", no "mais considerado", no museu "mais tudo" de Portugal, como é tantas vezes referido. 

Neste momento não é de certeza.

A direcção devia pedir desculpa, demitir-se como fez o curador e dar a vez a outros, aptos para a função e que se demarquem rapidamente deste grupo infeliz.

quarta-feira, 26 de setembro de 2018

HM no Collège Henri Cahn em Bry-sur-Marne


Apresentámos hoje de manhã a nossa versão de "Enquanto o meu cabelo crescia" de Isabel Minhós Martins no Collège Henri Cahn em Bry-sur-Marne nos arredores de Paris, integrada na programação da “17ème Semaine des Cultures Étrangères” organizado pelo Centro Cultural Camões em parceria com a Coordenação do Ensino Português (Embaixada de Portugal).
Tivemos cerca de 30 crianças a assistir das quais apenas 8 ou 9 falavam português e nenhuma conhecia a história. Por isso, antes de começarmos, sugeri que eles se transformassem numa espécie de detectives muito atentos a todas as pistas não verbais: sons que não são palavras, gestos, expressões faciais, variações na dinâmica narrativa e da música e palavras conhecidas ou parecidas com o françês. Apenas lhes dei a conhecer o título da história.
Foi impressionante como todos se mantiveram sempre atentos e foram capazes de deduzir grande parte do que acontece na história.
É muito bom fazer estas apresentações em que, com a ajuda da parte de guitarra e da narração ritmada da Isabel, a musicalidade de uma língua se revela plenamente e também a capacidade das crianças em entender uma história contada numa língua estranha.
Para o sucesso da sessão foi fundamental o apoio da coordenadora do ensino do português em França, Adelaide Cristóvão, da professora Angelina Moreau, e claro, a inteligência, curiosidade e simpatia das crianças. Seria óptimo voltar com outra história!

No próximo post, vamos ter as fotografias da sessão e dos desenhos sobre cortes de cabelos "milaborantes".

sexta-feira, 14 de setembro de 2018

Jean-Michel Basquiat



Ainda não vi o documentário, apenas o trailer, mas vou a correr ver. Estreia hoje no cinema Nimas (felizmente ainda existe uma sala em Lisboa onde se podem ver filmes fora do circuito comercial).
É sobre um período da curta vida do artista Jean-Michel Basquiat em Nova Iorque, nos anos 70-80, a cidade onde tudo era possível, onde todos se encontravam, cruzavam, misturavam  e experimentavam descomprometidamente e sem concessões. Como disse a realizadora, Sara Driver: "(...) uma das razões por que quis fazer o filme: mostrar aos jovens de hoje, aos meus alunos, por exemplo, que já cresceram numa sociedade dominada por valores que nos eram estranhos, 'sucesso', ' rentablização', 'fama', 'dinheiro' (...)".