domingo, 26 de agosto de 2012

RTP 2


Faço parte da imensa minoria de seguidores de longa data da RTP 2.  Longe de ser perfeito, este canal ainda passa cinema de autor, curtas-metragens, documentários de toda a espécie, debatem-se temas culturais nacionais e internacionais, vêem-se outros desportos que não o futebol, ouve-se algum Jazz, alguma música clássica, as melhores séries e tudo sem intervalos de 20m de publicidade. Claro que isto é uma coisa esquisita a este governo porque não dá lucro e nem toda a gente gosta. Por isso, penso que a decisão de fechar este canal é a medida mais simbólica das intenções deste governo:  acabar com tudo o que não tiver um número de espectadores considerado suficiente e, por tabela,  com toda a criação artística não lucrativa. Nesta lógica, não será de estranhar que em breve se comecem a fechar os conservatórios de música, de teatro e de dança. Toda a arte sem fins comerciais deve mesmo acabar porque não sendo materialmente lucrativa, torna-se dispensável (e também inconveniente, porque faz pensar). Por coincidência, no mesmo dia em que soube desta intenção do governo, ouvi uma entrevista formidável à actriz e encenadora Fernanda Lapa, na Antena 2, e horrorizou-me pensar que esta estação de rádio irá pelo mesmo caminho e com isso silenciar-se-ão ainda mais todas as Fernandas Lapas, todas as vozes que não alinham neste modelo de vida ausente de arte e imaginação, de pensamento, de lugar à diferença, um modelo totalmente estupidificante que nos é imposto por seres anestesiados que nos querem anestesiar a todos.  Abaixo a extinção da RTP 2!  





quinta-feira, 9 de agosto de 2012

publicidade zero


Adoro os jogos olímpicos. Assisto às transmissões da RTP 2. Este ano tudo me pareceu ainda mais bonito: Londres, os estádios, as piscinas, os pavilhões, os atletas, tudo… de repente apercebi-me que essa sensação se devia à ausência de PUBLICIDADE. Já não estamos habituados a ver o que quer que seja sem essa presença a espreitar por qualquer lado, muito menos em mega-eventos. No desporto, são os atletas cobertos de marcas, os estádios forrados de banners, as pistas ladeadas por anúncios, tudo embrulhado em publicidade. Eu prefiro sem. Parece um sonho bom.  

terça-feira, 24 de julho de 2012

Sines




Uma foto da nossa passagem pelo Festival Músicas do Mundo em Sines com o Dom Quixote. Confirma-se mais uma vez a dinâmica incrível deste festival: tivemos uma mão cheíssima de crianças (e não só) a assistir, completamente habituados a este tipo de acções e portanto, altamente atentos e participativos. Em jeito de escrita automática, escreveram juntos e em tempo recorde um novo capítulo do livro que meteu tubarões e peixes-balão e que eu e a Isabel, a fechar o atelier,  contámos à nossa maneira. Obrigado a todos os participantes e à organização. Gostámos muito! Aqui fica a história:

"D. Quixote era um velhote muito magro que resolveu ir a Sines ao festival  Músicas do Mundo. Foi a uma biblioteca e estava com sede e com fome e resolveu ir a um café. D. Quixote era um velho doido por livros e lia imensos, imensos livros. À tarde, estava a passear pela cidade e passou pelo castelo. Pensou que era uma fortaleza imensa, entrou e assustou todos os técnicos do festival. O Sancho Pança foi à casa de banho e viu um tubarão na banheira. O tubarão assustou-se e o Sancho Pança também e deu um berro de tal forma que caiu na sanita e não se conseguia levantar. D. Quixote estava à procura dele, e a água da banheira estava tão alta que o tubarão conseguiu sair. D. Quixote chegou lá e salvou o Sancho Pança da sanita e do tubarão. D. Quixote matou o tubarão com a espada e comeram-no ao jantar. D. Quixote resolveu voltar à sua vida de aventura, e Sancho Pança comeu muito e ficou gordo como um peixe balão.  E assim continuaram o seu caminho... "

quinta-feira, 19 de julho de 2012

Festival Músicas do Mundo em Sines



Já estive como espectador neste festival onde vi o guitarrista Marc Ribot com o baixista Yamaaladeen Tacuma e o grupo do Hermeto Pascoal em dois concertos absolutamente inesquecíveis. Sou fã deste festival e este ano as Histórias Magnéticas constam do programa no âmbito das actividades para crianças! É já segunda-feira 23, às 15h no Centro de Artes de Sines. Veja aqui toda a programação:
http://fmm.com.pt/programa-2012/

sexta-feira, 13 de julho de 2012

Vandana Shiva




Aqui está uma série muito boa que passa na RTP 2 (a única televisão que serve para alguma coisa e em perigo de extinção, claro): "O tempo e o modo" de Graça Castanheira.
Este episódio revelou-me uma mulher extraordinária, a activista indiana pela BIODIVERSIDADE, Vandana Shiva. Uma visão tão certeira da actualidade e fatalmente, minoritária. Vejam e se concordarem, divulguem.

quinta-feira, 12 de julho de 2012

Viana do Alentejo




Fomos ao Cine Teatro de Viana do Alentejo fazer o Dom Quixote (dias 10 e 12).  A foto de cima mostra o teatro, renovado em 2005. Ficou impecável por fora e por dentro e percebe-se que é agora um espaço muito estimado, útil à terra e usado por todos. Organizam imensas actividades para os mais jovens, mas não só. É um prazer encontrar espaços como este!  Os técnicos Nuno, Luis e Pedro foram impecáveis conosco bem como a programadora Edite Sousa. Tivemos crianças dos ATL's orientadas por jovens monitores/as totalmente empenhados no seu trabalho. A todos, muito obrigado! Aqui as crianças estão habituadas a assistir a espectáculos diferentes e a frequentar ateliers muito diversos. No nosso primeiro dia, apareceram-nos vindas de um atelier de artes plásticas, com vários nomes de pintores na cabeça e por isso, tinham muito a dizer quando lhes mostrei diferentes representações do Dom Quixote, desde o Dali ao Picasso.  No segundo dia, o outro grupo, inventou um longo novo capítulo do livro que a seguir eu e a Isabel contámos improvisando a música. A pedido deles, tivemos que bisar esta versão! Quando as coisas são assim, tudo fica fácil e só pode correr bem.




Enquanto isto, os velhotes conversavam à sombrinha.






Este é o Dom Quixote do João Baião de 8 anos,




e a Isabel com uma participante e um dos monitores.




sábado, 7 de julho de 2012

Lugar à Dança

Foi ontem no lindo Jardim da Estrela em Lisboa que apresentámos o "Dom Quixote" e "Enquanto o meu cabelo crescia". Estava uma manhã de sol magnífica e o enquadramento era perfeito. Apesar de algum vento, o som estava óptimo e os sons dos passarinhos e dos sinos combinaram muito bem com o nosso. O único senão, foi que as escolas que se inscreveram, apesar de informadas pela organização do festival "Lugar à dança", trouxeram apenas turmas da pré-primária, quando o espectáculo se dirige a crianças do primeiro ciclo. Foi pena porque não resulta como o previsto, mas com escolas, começo a perceber que nunca se sabe o que pode acontecer... Felizmente, a seguir a nós, actuou o palhaço Tosta Mista que era mesmo bom e equilibrou as coisas.

segunda-feira, 4 de junho de 2012

Portugal daqui a 25 anos!

O actor Luis Miguel Cintra deu o pontapé de saída para aquilo que todos os artistas que se preocupam alguma coisa com o estado da cultura neste país deviam fazer a partir de agora: quando tivermos tempo de antena na TV (especialmente na SIC porque introduziu em Portugal a TV "vale tudo"), não os desperdicemos com sorrisos de agradecimento vazios e em vez disso, aproveitemos para perturbar e denunciar, nem que seja só por oito minutos, a falsidade em que vivemos (sobretudo perante plateias como estas). Muito obrigado LMC. 


s.p.





sexta-feira, 1 de junho de 2012

Dia mundial da criança em Odivelas

Dia mundial da criança. Estivemos presentes nas comemorações em Odivelas no âmbito do festival Gepeto (de arte para crianças) num jardim ao ar livre, onde imperava o escorrega insuflável e a falta de imaginação. Incomoda-me ver as crianças tratadas como um rebanho de seres a entreter e a passar mais um tempo distraídas. É que as crianças sabem muito bem diferenciar a qualidade da atenção que lhes é dispensada. Não se pense o contrário. E é por isso que é tão bom e extremamente exigente trabalhar com elas e para elas. Lembrei-me, por oposição, do Festival Serralves em Festa, no Porto, um festival para as massas, com centenas de espectáculos de rua para os mais novos e que não descura por um segundo o respeito pela sensibilidade das crianças. Não me estou a referir aos espectáculos em si - são todos muito diferentes - estou a falar apenas do conceito, da forma de apresentar as coisas que revela um cuidado e empenhamento totais.
E chegada a nossa hora, depois de um mini sound-check surrealista, começámos o Dom Quixote (seguido de Enquanto o meu cabelo crescia) com a sensação de que nos estávamos a atirar de um avião sem pára-quedas... mas apesar do mau som, do vento e do sol de chapa, conseguimos aterrar bem! A história e música foram mais fortes e no fim, as crianças estavam satisfeitas. Mas não chega. Porque podiam ter ficado plenamente satisfeitas, mas esse, infelizmente, não era o objectivo destas comemorações.

s.p.

domingo, 27 de maio de 2012

Costa da Caparica, Festival Sementes

Sexta-feira, dia 25, fizemos as histórias magnéticas em versão concerto (Dom Quixote + Enquanto o meu cabelo crescia) no âmbito do Festival Sementes - mostra internacional de artes para o pequeno público. Aconteceu num cinema escondido dentro de um shopping dos anos 70 na Costa da Caparica. Um cinema que estava fechado à 12 anos e que desde Março passado é programado pela associação cultural Gandaia. Apresentam cinema, música, teatro e assossiaram-se ao Teatro Extremo de Almada. O espaço ainda cheira a mofo, fica bastante fora de mão e não me parece que haja muita tradição de espaços culturais na Costa da Caparica...  Não é,  por tudo isto, um espaço muito convidativo. Pois não. Mas é quentinho, tem excelente acústica, boas cadeiras de napa, boa visibilidade e um palco suficientemente grande para pequenos grupos. E tem lá dentro o Rui, que é técnico de som, já foi baterista e que nos fez um som lindo (e luzes). Trabalha com toda a calma e dedicação. No fim, ainda nos ofereceu uma gravação impecável do concerto! As crianças apareceram, o espectáculo começou e o espaço transformou-se noutro: acolhedor e perfeito para as histórias magnéticas. Não sei se a associação Gandaia vai ou não conseguir agarrar algum público e manter a programação deste cinema de shopping, mas espero que sim. Sempre senti uma enorme atracção por espaços desenterrados do nada. Este país está cheio deles e deviam ser todos ocupados, reproduzir este exemplo e encherem-se de vida. O que é que estão à espera, associações culturais, companhias, programadores solitários, gestores culturais sem espaço? ataquem!

s.p.

Covilhã, Festival Y (2)

Eis os desenhos dos alunos do Conservatório Regional de Música da Covilhã: "Antes e depois"(de passar pelo Salão da Mila). Transformações milaborantes.


























quinta-feira, 24 de maio de 2012

Covilhã, Festival Y (1)



Se esquecerem a mão, o pente e a tesoura, o que é que vêm? "esparguete, caminhos, estradas, cascatas, água, mar, ondas..." responderam os alunos do Conservatório Regional de Música da Covilhã perante esta ilustração da Madalena Matoso. E eu expliquei-lhes que foi precisamente a ideia de ondas que determinou o ritmo base da banda-sonora ao qual a Isabel juntou o som das tesouras a cortar. Um ritmo regular de três tempos e o ritmo imprevisível das tesouradas, inesperadamente juntos. Foi o princípio da nossa composição musical. Fomos então à pesca de outros sons dentro da história e fizemos uma orquestra com eles. A isabel foi a maestrina, com partitura e tudo, as crianças fizeram os sons com a voz e o corpo. Sons de secadores, vozes, sprays, tesouras, passos, adquiriram outra tonalidade sobre os acordes de guitarra. É sempre um momento alto no atelier!
Foi assim nos dias 21 e 22, no Festival Y, um projecto que já vai na décima edição e que continua a programar sem fazer concessões comerciais ou outras. Parabéns a todos os que o organizam e que nele trabalham! Obrigado Rui, Pedro e Celina. E também ao Teatro das Beiras pelo forma como estima o espaço lindo que detém.

s.p. 

segunda-feira, 14 de maio de 2012

Estarreja

Apresentámos ontem à tarde (para o público em geral) e hoje de manhã (para escolas) o "Enquanto o meu cabelo crescia" no cine-teatro de Estarreja. Um teatro que conhecia de outros tempos, abandonado, a cair aos bocados. Foi entretanto recuperado, como tantos outros teatros nacionais, e ficou como novo, lindo.  Encontrámos uma equipa técnica de excelência (obrigado Hugo, obrigado Zé, obrigado a todos!) e uma programação que não se rege apenas pelo número de espectadores. Parabéns Fátima Alçada!
Os desenhos abaixo foram feitos pelo Carmo e pela Luísa, duas amigas harpistas que vieram de Aveiro para assistir às histórias magnéticas e que contribuíram imenso para que o atelier fosse tão divertido.

s.p.




INACREDITAVELMENTE,  TODO O INVESTIMENTO TÃO IMPORTANTE QUE FOI FEITO NA RECUPERAÇÃO E REABERTURA DOS CINE-TEATROS LOCAIS ESTÁ EM RISCO (E O CINE-TEATRO DE ESTARREJA NÃO É EXCEPÇÃO)  PORQUE OS GOVERNANTES EM PORTUGAL AINDA NÃO PERCEBERAM  QUE É VITAL PARA O DESENVOLVIMENTO DAS REGIÕES E DO PAÍS (A TODOS OS NÍVEIS),  MANTER A REDE DE CINE-TEATROS A FUNCIONAR E GARANTIR  CONDIÇÕES PARA QUE ESSES ESPAÇOS POSSAM APRESENTAR UMA  PROGRAMAÇÃO SÉRIA - AS POPULAÇÕES PRECISAM E MERECEM!

domingo, 29 de abril de 2012

Lisboa, Biblioteca Orlando Ribeiro

O nosso Dom Quixote esteve na Biblioteca Orlando Ribeiro em Lisboa (26 de Abril). É um espaço fabuloso, num edifício antigo em Telheiras, muito bonito e bem organizado. Tem um auditório muito simpático com programação regular mas, por estar ocupado nestas datas, apresentámos o espectáculo noutra sala da biblioteca. Contámos com duas turmas do 3º ano da escola EB1 Santo António, acompanhadas pelo professor bibliotecário Acácio Carreira que já tinha trazido outras turmas à estreia do "Enquanto o meu cabelo crescia" em 2011, no Teatro Maria Matos (é sempre bom termos pessoas que voltam!).  As crianças estavam muito bem preparadas, já conheciam o livro e até tinham feito uma banda desenhada. Acabámos o atelier a inventar juntos outra aventura do Dom Quixote que acabou com ele a viajar no espaço. Vejam os desenhos:
s.p.
















terça-feira, 24 de abril de 2012

Vila Viçosa

Estivemos ontem em Vila Viçosa (23.04) com "O meu primeiro Dom Quixote" no cine-teatro Florbela Espanca. Apesar da enorme simpatia dos dois funcionários que nos acompanharam, o estado de manutenção e o equipamento deste espaço deixam muito a desejar e acabámos por decidir contar a história ao nível da plateia, à frente do palco, apenas com a iluminação geral da sala. As coisas pareciam não estar a jogar muito a nossa favor, mas... quando comecei a tocar, senti imediatamente que as crianças estavam totalmente connosco, a ouvir com toda a atenção e isso é o melhor que pode acontecer. Uma professora comentou no final que os alunos mais rebeldes tinham aderido "inexplicavelmente"... o atelier que se seguiu foi um momento fantástico com observações inteligentíssimas de todos acerca da história e também  sobre a nossa forma de a contar. Fiquei muito contente porque ao longo de três anos de histórias magnéticas, estou a dar força à teoria de que as crianças estão mais do que disponíveis para assistirem a espectáculos que não cumprem nenhum dos requisitos que estupidamente se exigem a um espectáculo para crianças: o ritmo não pode ser muito lento, deve apoiar-se numa pulsação regular e preferencialmente de divisão binária, tudo tem que ser muito bem explicado e "infantilizado", cores vivas, luzes e sons fortes. Isso só é verdade para quem acha que as crianças são burras. Sem dúvida que elas gostam de se divertir, mas gostam sobretudo que as tratem como seres que pensam (para variar...).

s.p.