s.p.
segunda-feira, 4 de junho de 2012
Portugal daqui a 25 anos!
O actor Luis Miguel Cintra deu o pontapé de saída para aquilo que todos os artistas que se preocupam alguma coisa com o estado da cultura neste país deviam fazer a partir de agora: quando tivermos tempo de antena na TV (especialmente na SIC porque introduziu em Portugal a TV "vale tudo"), não os desperdicemos com sorrisos de agradecimento vazios e em vez disso, aproveitemos para perturbar e denunciar, nem que seja só por oito minutos, a falsidade em que vivemos (sobretudo perante plateias como estas). Muito obrigado LMC.
s.p.
s.p.
sexta-feira, 1 de junho de 2012
Dia mundial da criança em Odivelas
Dia mundial da criança. Estivemos presentes nas comemorações em Odivelas no âmbito do festival Gepeto (de arte para crianças) num jardim ao ar livre, onde imperava o escorrega insuflável e a falta de imaginação. Incomoda-me ver as crianças tratadas como um rebanho de seres a entreter e a passar mais um tempo distraídas. É que as crianças sabem muito bem diferenciar a qualidade da atenção que lhes é dispensada. Não se pense o contrário. E é por isso que é tão bom e extremamente exigente trabalhar com elas e para elas. Lembrei-me, por oposição, do Festival Serralves em Festa, no Porto, um festival para as massas, com centenas de espectáculos de rua para os mais novos e que não descura por um segundo o respeito pela sensibilidade das crianças. Não me estou a referir aos espectáculos em si - são todos muito diferentes - estou a falar apenas do conceito, da forma de apresentar as coisas que revela um cuidado e empenhamento totais.
E chegada a nossa hora, depois de um mini sound-check surrealista, começámos o Dom Quixote (seguido de Enquanto o meu cabelo crescia) com a sensação de que nos estávamos a atirar de um avião sem pára-quedas... mas apesar do mau som, do vento e do sol de chapa, conseguimos aterrar bem! A história e música foram mais fortes e no fim, as crianças estavam satisfeitas. Mas não chega. Porque podiam ter ficado plenamente satisfeitas, mas esse, infelizmente, não era o objectivo destas comemorações.
s.p.
E chegada a nossa hora, depois de um mini sound-check surrealista, começámos o Dom Quixote (seguido de Enquanto o meu cabelo crescia) com a sensação de que nos estávamos a atirar de um avião sem pára-quedas... mas apesar do mau som, do vento e do sol de chapa, conseguimos aterrar bem! A história e música foram mais fortes e no fim, as crianças estavam satisfeitas. Mas não chega. Porque podiam ter ficado plenamente satisfeitas, mas esse, infelizmente, não era o objectivo destas comemorações.
s.p.
domingo, 27 de maio de 2012
Costa da Caparica, Festival Sementes
Sexta-feira, dia 25, fizemos as histórias magnéticas em versão concerto (Dom Quixote + Enquanto o meu cabelo crescia) no âmbito do Festival Sementes - mostra internacional de artes para o pequeno público. Aconteceu num cinema escondido dentro de um shopping dos anos 70 na Costa da Caparica. Um cinema que estava fechado à 12 anos e que desde Março passado é programado pela associação cultural Gandaia. Apresentam cinema, música, teatro e assossiaram-se ao Teatro Extremo de Almada. O espaço ainda cheira a mofo, fica bastante fora de mão e não me parece que haja muita tradição de espaços culturais na Costa da Caparica... Não é, por tudo isto, um espaço muito convidativo. Pois não. Mas é quentinho, tem excelente acústica, boas cadeiras de napa, boa visibilidade e um palco suficientemente grande para pequenos grupos. E tem lá dentro o Rui, que é técnico de som, já foi baterista e que nos fez um som lindo (e luzes). Trabalha com toda a calma e dedicação. No fim, ainda nos ofereceu uma gravação impecável do concerto! As crianças apareceram, o espectáculo começou e o espaço transformou-se noutro: acolhedor e perfeito para as histórias magnéticas. Não sei se a associação Gandaia vai ou não conseguir agarrar algum público e manter a programação deste cinema de shopping, mas espero que sim. Sempre senti uma enorme atracção por espaços desenterrados do nada. Este país está cheio deles e deviam ser todos ocupados, reproduzir este exemplo e encherem-se de vida. O que é que estão à espera, associações culturais, companhias, programadores solitários, gestores culturais sem espaço? ataquem!
s.p.
s.p.
Covilhã, Festival Y (2)
Eis os desenhos dos alunos do Conservatório Regional de Música da Covilhã: "Antes e depois"(de passar pelo Salão da Mila). Transformações milaborantes.
quinta-feira, 24 de maio de 2012
Covilhã, Festival Y (1)
Se esquecerem a mão, o pente e a tesoura, o que é que vêm? "esparguete, caminhos, estradas, cascatas, água, mar, ondas..." responderam os alunos do Conservatório Regional de Música da Covilhã perante esta ilustração da Madalena Matoso. E eu expliquei-lhes que foi precisamente a ideia de ondas que determinou o ritmo base da banda-sonora ao qual a Isabel juntou o som das tesouras a cortar. Um ritmo regular de três tempos e o ritmo imprevisível das tesouradas, inesperadamente juntos. Foi o princípio da nossa composição musical. Fomos então à pesca de outros sons dentro da história e fizemos uma orquestra com eles. A isabel foi a maestrina, com partitura e tudo, as crianças fizeram os sons com a voz e o corpo. Sons de secadores, vozes, sprays, tesouras, passos, adquiriram outra tonalidade sobre os acordes de guitarra. É sempre um momento alto no atelier!
Foi assim nos dias 21 e 22, no Festival Y, um projecto que já vai na décima edição e que continua a programar sem fazer concessões comerciais ou outras. Parabéns a todos os que o organizam e que nele trabalham! Obrigado Rui, Pedro e Celina. E também ao Teatro das Beiras pelo forma como estima o espaço lindo que detém.
s.p.
segunda-feira, 14 de maio de 2012
Estarreja
Apresentámos ontem à tarde (para o público em geral) e hoje de manhã (para escolas) o "Enquanto o meu cabelo crescia" no cine-teatro de Estarreja. Um teatro que conhecia de outros tempos, abandonado, a cair aos bocados. Foi entretanto recuperado, como tantos outros teatros nacionais, e ficou como novo, lindo. Encontrámos uma equipa técnica de excelência (obrigado Hugo, obrigado Zé, obrigado a todos!) e uma programação que não se rege apenas pelo número de espectadores. Parabéns Fátima Alçada!
Os desenhos abaixo foram feitos pelo Carmo e pela Luísa, duas amigas harpistas que vieram de Aveiro para assistir às histórias magnéticas e que contribuíram imenso para que o atelier fosse tão divertido.
s.p.
INACREDITAVELMENTE, TODO O INVESTIMENTO TÃO IMPORTANTE QUE FOI FEITO NA RECUPERAÇÃO E REABERTURA DOS CINE-TEATROS LOCAIS ESTÁ EM RISCO (E O CINE-TEATRO DE ESTARREJA NÃO É EXCEPÇÃO) PORQUE OS GOVERNANTES EM PORTUGAL AINDA NÃO PERCEBERAM QUE É VITAL PARA O DESENVOLVIMENTO DAS REGIÕES E DO PAÍS (A TODOS OS NÍVEIS), MANTER A REDE DE CINE-TEATROS A FUNCIONAR E GARANTIR CONDIÇÕES PARA QUE ESSES ESPAÇOS POSSAM APRESENTAR UMA PROGRAMAÇÃO SÉRIA - AS POPULAÇÕES PRECISAM E MERECEM!
Os desenhos abaixo foram feitos pelo Carmo e pela Luísa, duas amigas harpistas que vieram de Aveiro para assistir às histórias magnéticas e que contribuíram imenso para que o atelier fosse tão divertido.
s.p.
INACREDITAVELMENTE, TODO O INVESTIMENTO TÃO IMPORTANTE QUE FOI FEITO NA RECUPERAÇÃO E REABERTURA DOS CINE-TEATROS LOCAIS ESTÁ EM RISCO (E O CINE-TEATRO DE ESTARREJA NÃO É EXCEPÇÃO) PORQUE OS GOVERNANTES EM PORTUGAL AINDA NÃO PERCEBERAM QUE É VITAL PARA O DESENVOLVIMENTO DAS REGIÕES E DO PAÍS (A TODOS OS NÍVEIS), MANTER A REDE DE CINE-TEATROS A FUNCIONAR E GARANTIR CONDIÇÕES PARA QUE ESSES ESPAÇOS POSSAM APRESENTAR UMA PROGRAMAÇÃO SÉRIA - AS POPULAÇÕES PRECISAM E MERECEM!
domingo, 29 de abril de 2012
Lisboa, Biblioteca Orlando Ribeiro
O nosso Dom Quixote esteve na Biblioteca Orlando Ribeiro em Lisboa (26 de Abril). É um espaço fabuloso, num edifício antigo em Telheiras, muito bonito e bem organizado. Tem um auditório muito simpático com programação regular mas, por estar ocupado nestas datas, apresentámos o espectáculo noutra sala da biblioteca. Contámos com duas turmas do 3º ano da escola EB1 Santo António, acompanhadas pelo professor bibliotecário Acácio Carreira que já tinha trazido outras turmas à estreia do "Enquanto o meu cabelo crescia" em 2011, no Teatro Maria Matos (é sempre bom termos pessoas que voltam!). As crianças estavam muito bem preparadas, já conheciam o livro e até tinham feito uma banda desenhada. Acabámos o atelier a inventar juntos outra aventura do Dom Quixote que acabou com ele a viajar no espaço. Vejam os desenhos:
s.p.
s.p.
terça-feira, 24 de abril de 2012
Vila Viçosa
Estivemos ontem em Vila Viçosa (23.04) com "O meu primeiro Dom Quixote" no cine-teatro Florbela Espanca. Apesar da enorme simpatia dos dois funcionários que nos acompanharam, o estado de manutenção e o equipamento deste espaço deixam muito a desejar e acabámos por decidir contar a história ao nível da plateia, à frente do palco, apenas com a iluminação geral da sala. As coisas pareciam não estar a jogar muito a nossa favor, mas... quando comecei a tocar, senti imediatamente que as crianças estavam totalmente connosco, a ouvir com toda a atenção e isso é o melhor que pode acontecer. Uma professora comentou no final que os alunos mais rebeldes tinham aderido "inexplicavelmente"... o atelier que se seguiu foi um momento fantástico com observações inteligentíssimas de todos acerca da história e também sobre a nossa forma de a contar. Fiquei muito contente porque ao longo de três anos de histórias magnéticas, estou a dar força à teoria de que as crianças estão mais do que disponíveis para assistirem a espectáculos que não cumprem nenhum dos requisitos que estupidamente se exigem a um espectáculo para crianças: o ritmo não pode ser muito lento, deve apoiar-se numa pulsação regular e preferencialmente de divisão binária, tudo tem que ser muito bem explicado e "infantilizado", cores vivas, luzes e sons fortes. Isso só é verdade para quem acha que as crianças são burras. Sem dúvida que elas gostam de se divertir, mas gostam sobretudo que as tratem como seres que pensam (para variar...).
s.p.
s.p.
terça-feira, 17 de abril de 2012
Próximas apresentações
Atenção às nossas próximas apresentações!
O meu primeiro Dom Quixote
O meu primeiro Dom Quixote
Vila Viçosa, Cine-Teatro Florbela Espanca - 23 de Abril, 15h30
Lisboa, Biblioteca Municipal Orlando Ribeiro - 27 de Abril, 10h30
Lisboa, Biblioteca Municipal Orlando Ribeiro - 28 de Abril, 15h30
Reservas: escritorio@realpelagio.com/ 916371208
Almada, Festival Sementes, Auditório da Costa da Caparica - 25 de Maio, 14h30
Braga, Theatro Circo, 28, 29 e 30 de Maio
Odivelas, Jardim da Música, 1 de Junho, 15h30
Viana do Alentejo, Cine-Teatro, 10 e 12 de Julho, 15h00
Borba - 4 de Setembro
Évora, Teatro Garcia de Resende - 23 de Outubro
Alcochete, Fórum - 27 de Outubro, 16h00
Enquanto o meu cabelo crescia
Estarreja, Cine-Teatro - 13 e 14 de Maio
Covilhã, Festival Y#10 - 21 e 22 de Maio, 10h00 e 14h00
Torres Vedras, Cine-Teatro - 29 de Setembro
Alcochete, Fórum - 27 de Outubro, 16h00
segunda-feira, 19 de março de 2012
Lisboa, Conservatório (2)
Alguns Dom Quixotes, Ruços, Rocinantes e outros, desenhados já depois do atelier no Conservatório nacional de música de Lisboa, numa mesa irresístivel, baixinha e de tampo gigante, que lá está, sabiamente colocada num canto à saída...
s.p.
s.p.
quinta-feira, 15 de março de 2012
Melodia Musical Inexpressa
A propósito da ligação entre a música e a musicalidade de um texto, encontrei a "teoria dos poemas paralelos aos esqueletos das melodias musicais inexpressas" do poeta José Gomes Ferreira: "Descobri então que cada poema possuía um ritmo próprio reduzível a uma unidade de tempo semelhante à do compasso musical. Isto é: por baixo de cada poema dir-se-ia existir o esqueleto de uma melodia musical inexpressa - de que eu bem sentia o desenho e o ritmo - coincidente com os versos cujas sílabas correspondiam ao valor dos sons musicais que, como na música, iam da semibreve à semifusa."
(em "A memória das palavras ou o gosto de falar de mim", José Gomes Ferreira, Portugália 1965)
exemplo com o poema "Neste momento / um pássaro qualquer" (tirado do mesmo livro)
s.p.
(em "A memória das palavras ou o gosto de falar de mim", José Gomes Ferreira, Portugália 1965)
exemplo com o poema "Neste momento / um pássaro qualquer" (tirado do mesmo livro)
s.p.
terça-feira, 13 de março de 2012
Don Quixote by Orson Welles
DOM QUIXOTE! (o actor Francisco Reiguera no Dom Quixote inacabado de Orson Welles). Esta é uma das representações de Dom Quixote que mostramos nas nossas oficinas e que achamos uma das mais poderosas.
s.p.
segunda-feira, 12 de março de 2012
Lisboa, Conservatório (1)
E ontem concluímos a série de 4 apresentações no Conservatório de Música de Lisboa com a história "A bomba e o general" de Umberto Eco, a primeira das 3 Histórias Magnéticas (estreou em 2009 na Fábrica das Artes no CCB em Lisboa). Já há algum tempo que não faziamos esta história e por isso deu-nos um prazer especial. A música está escrita e a narração é marcada quase à "palavra", mas dá para "esticar" aqui e ali o que transforma cada apresentação num jogo sempre divertido entre a guitarra e a voz (podem ver este vídeo velhinho para ter uma ideia: http://www.youtube.com/watch?v=cw1hRhqhsiQ ). Teria sido melhor ter mais público (atenção: os poucos, eram muito bons!!) mas o "Le foyer" é uma iniciativa que ainda agora começou. Espero que os lisboetas despertem para isto! obrigado ao Bruno Cochat, ao Ruben e, claro, a todos os que nos vieram ouvir.
s.p.
quarta-feira, 29 de fevereiro de 2012
Estremoz
"O meu primeiro Dom Quixote" em Estremoz (Teatro Bernardim Ribeiro), 26.02.2012.
Depois do espectáculo fazemos quase sempre um atelier com as crianças que começa com uma conversa sobre o que acabaram de ver e ouvir. No final, escrevemos juntos um novo capítulo do livro a partir de frases lançadas por todos que é depois ilustrado. Eis alguns dos desenhos feitos pelos participantes!
s.p.
Depois do espectáculo fazemos quase sempre um atelier com as crianças que começa com uma conversa sobre o que acabaram de ver e ouvir. No final, escrevemos juntos um novo capítulo do livro a partir de frases lançadas por todos que é depois ilustrado. Eis alguns dos desenhos feitos pelos participantes!
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