domingo, 21 de junho de 2020

Rádio Pavão




A melhor Rádio online para os mais novos a partir da Escola Básica do Castelo em Lisboa para todo o mundo! Nasceu do empenho de professores e alunos em reacção ao "ficar em casa" e é a todos os níveis um acontecimento sonoro a não perder e a acompanhar com toda a atenção. Genial!

E assim, com criatividade, vontade, inteligência e imaginação se fazem coisas boas e diferentes e ainda por cima estimula-se o gosto pela rádio que é um meio de comunicação tão bom, sem imagem.

Muitos parabéns a quem teve esta ideia e a todos os que a constroem, sessão a sessão. Não parem!


sábado, 20 de junho de 2020

Mas quando é que a bola se fura de uma vez por todas?



Nada mais nada menos do que o presidente da republica, o primeiro-ministro, o presidente da assembleia da republica, o presidente da câmara municipal de Lisboa e o presidente da federação portuguesa de futebol para nos anunciar, em pose oficial, que a fase final da liga dos campeões de futebol vai acontecer em Lisboa em Agosto. 

Será possível um retrato mais deprimente de um país do que este, perante tudo o que Portugal e o mundo estão a atravessar? 

Se alguém se lembra, o regresso da bola desconfinou com adeptos a agredirem jogadores e a partirem tudo o que lhes aparecia à frente. À TV,  voltaram os inúmeros programas com especialistas que não fazem mais nada a não ser insultarem-se uns aos outros em directo durante horas intermináveis (99% são homens, como deve ser para se discutir bola a sério, sem as mulheres por perto), continuam os escândalos na gestão e falta de transparência nas contas dos grandes clubes, o tráfico de jogadores é uma realidade e por aí fora até ao enjôo. 

Mas aqui temos cinco ilustres dirigentes, três dos quais nos mais altos cargos da nação (só faltaram os representantes das forças armadas e da igreja), a dar cobertura a este desporto do qual não sobra nada a não ser violência, corrupção, ganância, racismo, vandalismo e machismo e altamente inchados por termos sido os eleitos para apresentar esta “grandiosa” final no meio de uma pandemia mundial.

Doeu ver.

(a foto é do jornal Público)

domingo, 7 de junho de 2020

Em Lisboa, contra o racismo






Desci ontem da Alameda até ao Terreiro do Paço, ao lado de milhares de pessoas - cerca de 6000 - quase todos jovens, na manifestação contra o racismo. Homenageava-se George Floyd, mais um negro americano asfixiado até à morte  por um polícia branco nos EUA.

Foi muito bom ver tantos juntos pela mesma causa numa demonstração pacifica e esmagadora quanto à mensagem que queria transmitir. 

É preciso continuar. O racismo continua enraizado na sociedade portuguesa. Por isso é preciso denunciá-lo e combatê-lo sempre, todos os dias, em todos os lugares e é na infância que isso começa, explicando às crianças, em casa e nas escolas, o que é e que está errado. 

Eu tinha uma tia-avó, que emigrou para os EUA nos anos 50 e que inscreveu sempre o seu filho americano em escolas públicas para que ele beneficiasse da diversidade cultural e crescesse livre de estereótipos e preconceitos. Ela contava que achava que por causa disso e dos bons professores, o filho nunca soube o que era identificar ou distinguir um colega pela cor da pele. Essa possibilidade, pura e simplesmente, não se colocava dentro dele. 

No jornal Público de ontem saiu um artigo muito esclarecedor sobre esta matéria - “Como explicam os pais o racismo às crianças?”.

“Às vezes, sem querer, meninos que vivenciam o racismo em casa, reproduzem o que ouvem na escola e aí corrige-se”, relata Ariana Furtado, que se sente privilegiada por trabalhar numa escola, em Lisboa, onde há crianças de 17 nacionalidades e onde isso é tido em conta desde o pré-escolar. “Ensinamos sobre a importância das palavras, por exemplo, o nome dos meninos pode ser fonte de conflito, podem ser usados para os menosprezar [quando têm nomes estrangeiros]. Ensinamos a não gozar. Procuramos diversificar os livros, dando a conhecer outras culturas sem cair no folclore”, enumera, exemplificando que ainda há crianças que acreditam que os africanos vivem em savanas. Ariana procura desmistificar estereótipos e preconceitos. 

(In Jornal Público, 6 de Junho 2020) 

quarta-feira, 3 de junho de 2020

Teatro na RTP 1


Na noite de 1 de Junho, a RTP1 exibiu a última encenação da Sra. ministra da cultura. 
Chama-se “Prós e Contras - O regresso da vida” e foi um sucesso! 

A acção decorre numa nave espacial, a milhares de quilómetros da terra, dentro da qual um pequeno grupo de amigos, conversa alegremente sobre Cooltura

Cooltura é uma invenção da Grande Líder, interpretada pela própria Sra. ministra, para acabar de vez com a Cultura e milhares de trabalhadores do sector.  

Ela acabou de disparar sobre Portugal mais uma série de Medidas e aguarda, serenamente e bem protegida a bordo da Nave Governativa e acompanhada de amigos inseparáveis, os novos efeitos da sua Cooltura

Tudo acaba bem! A Cultura é definitivamente subtituída por Cooltura, a alegria e a segurança laboral estão garantidas e ficamos a viver dentro de um permanente Festival de Verão ou em eventos Turístico-Coolturais, nas boas mãos dos Grandes Promotores Privados que se vêem finalmente promovidos a Conselheiros Principais.  

Cool! 



segunda-feira, 1 de junho de 2020

de 1 a 5 de Junho no Teatro LuCa


Estreámos ontem no facebook do Teatro LuCa - Luis de Camões em Lisboa, a versão em filme da nossa última história "Não se deixem enganar!" - um conto panfletário de 2019.
Vai ali ficar até dia 5, se quiserem ouvi-la e vê-la:
https://www.facebook.com/lucateatroluisdecamoes/videos/183601789652739/




domingo, 24 de maio de 2020

30 milhões

Na sua intervenção em Coimbra, o primeiro-ministro limitou-se a sugerir que estes 30 milhões de euros servirão para que “os municípios, que são dos maiores investidores na cultura do nosso país, possam dispor de condições” para realizar “espectáculos musicais, por exemplo, quer ao ar livre, quer em espaço coberto”.  (Jornal Público, 22 de Maio)

Uma decisão que confirma o profundo desconhecimento e alheamento do tecido cultural português real: O Dr.Costa e a Dra.Graça não ouviram nada do que os artistas, técnicos e tantos outros profissionais do sector têm andado a dizer, alto e bom som e a uma só voz, sobre a situação que estão a atravessar.
Esta medida avulso não nos engana. 
Pretende calar-nos e pretende desvalorizar na opinião pública o que se tem revelado e ficado a conhecer sobre a precariedade eterna em que vivem milhares de profissionais, agora numa situação pior do que nunca: fome, em muitos casos.
Não ficam a restar dúvidas de que para o governo o principal objectivo da actividade cultural é só um: entreter. Não foi difícil desbloquear 30 milhões para garantir que, mesmo sem se conhecerem as condições de apresentação ou os critérios de programação, os municípios possam garantir a realização dos tais espectáculos musicais para distrair e alegrar os portugueses no meio da pandemia. E assim, com esta jogada politica sinistra, prevalece a lógica do costume - a lógica TV FEST (só o nome arrepiava) - e fica tudo na mesma para os precários (do costume). 

quinta-feira, 21 de maio de 2020

Teaser #1



Trumssonaro



Este é o TRUMSSONARO e foi criado e desenhado pelo João Pedro Gomes para ilustrar a nossa nova história "NÃO SE DEIXEM ENGANAR!" - Um conto panfletário de 2019.  



sábado, 9 de maio de 2020

GDA!


As Histórias Magnéticas foram apoiadas pela GDA - Gestão dos Direitos do Artistas - para a criação da nova história "Não se deixem enganar, um conto panfletário de 2019"!

Neste momento tão difícil e de tantas incertezas para o sector da cultura, esta notícia é obviamente muito importante para nós porque, antes do mais, permite-nos manter a equipa completa, não prescindir de ninguém e continuar à procura de soluções e adaptações aos tempos diferentes que estamos a viver.

As Histórias Magnéticas envolvem poucas pessoas, é um projecto com poucas exigências técnicas nos seus espectáculos, concebido e preparado para ser apresentado principalmente em locais não convencionais - bibliotecas, escolas, centros recreativos, etc - e por isso, apesar de não sabermos ainda como vão acontecer as apresentações ao vivo, é relativamente mais fácil adaptarmo-nos, esperamos que por pouco tempo, a outros formatos de apresentação: filme ou streaming, por exemplo.

É o que vai acontecer com a estreia da nova história que será em vídeo e inserida, como estava previsto, na programação do Lu-ca - Teatro Luís de Camões, em Lisboa no próximo dia 1 de Junho.

É notável o papel que a GDA assumiu no sector da criação artística em Portugal, apoiando os artistas e intérpretes com uma consistência sem paralelo e a todos os níveis. É exemplar a forma como neste momento de grande dificuldade, a GDA se desdobra em iniciativas para procurar minimizar os danos da pandemia no sector da cultura. Quase todos os dias recebo mensagens da GDA com esclarecimentos, notícias importantes e novos apoios à classe.

Bem diferente do que se observa na Sociedade Portuguesa de Autores, empresa da qual me dissociei há muito tempo atrás em profunda divergência e cujo silêncio no que toca à situação presente é ensurdecedor, limitando-se neste momento a incentivar ou melhor, distrair e entreter os autores com nova poesia do seu director... enfim, a SPA  igual a si mesma.


terça-feira, 31 de março de 2020

"Gostamos de si"


Deixo aqui o link para o vídeo realizado pela equipa do Cine-Teatro Avenida em Castelo Branco, liderada por Carlos Semedo e nossos parceiros de longa data.

Muito obrigado pela iniciativa e por continuarem a apoiar os artistas, público, técnicos e outros trabalhadores desta área, durante estes tempos diferentes e difíceis. Gostamos muito desse teatro!






sábado, 28 de março de 2020

Mercearia de papel


Aqui fica um site de que gosto muito feito pela Sofia, agora que a escola está fechada e tem mais tempo livre. Pode ser uma ideia a pegar por outras crianças enquanto temos de ficar em casa...

A Sofia escreveu:

"Olá! Como todos vocês, fiquei em casa. Já há algum tempo que tinha aberto uma mercearia com imensos desenhos dos produtos que se podem encontrar nessas lojas.

Como agora tenho mais tempo livre porque a escola está fechada, fiz muitos novos desenhos e lembrei-me de abrir esta mercearia na internet e distribuir os meus desenhos a quem os quiser colecionar. 
Basta mandarem-me um email a dizer o desenho que escolheram. Se quiserem um desenho de um produto que não esteja aqui, digam.
Espero que gostem e que encontrem nesta mercearia o que precisam!
Sofia"




quinta-feira, 26 de março de 2020

Nova história


Ainda não sei exactamente onde, quando e como irá estrear a próxima história mas, neste momento, aponto para Julho e em streaming por causa das medidas preventivas contra a Covid-19.

Em casa, como toda a gente, procuro manter a actividade e a sanidade mental e ajuda muito estar a trabalhar na música para uma nova história.

A história chama-se "Não se deixem enganar! (um conto panfletário de 2019)" e foi escrita por mim há aproximadamente um ano atrás, pouco dias depois da eleição do Bolsonaro. Nessa altura, vários brasileiros e brasileiras foram entrevistados na tv e alguém, com lágrimas nos olhos e cuja mãe e pai tinham sido fortes opositores da ditadura, disse que estava arrependida de ter feito tão pouco para não deixar apagar a memória desses tempos terríveis.

Esse depoimento comoveu-me muito e reagi. Peguei numa caneta e comecei a escrever um alerta ao meu filho e à minha filha com tudo o que me lembrava das porcarias do antigo regime em Portugal e também histórias da avó e avô paternos deles que tinham sido opositores assumidos e activistas contra Salazar.

Aqui vos deixo a sinopse da história:

Depois de seis histórias de vários autores consagrados, faltava às Histórias Magnéticas a experiência de um conto original e foi assim que surgiu  “Não se deixem enganar! - um conto panfletário de 2019”.

Movido pela crescente onda obscurantista, retrógrada e fascista que avança por esse mundo fora, saiu-me, como um gesto de reação, esta história que fala de uma criança que viveu a transição do fascismo para a democracia em Portugal e que por isso sabe muito bem que não há coisa pior do que viver sob um regime como o antigo. 

Essa criança tem hoje 50 anos e apercebe-se que a história da sua família anti-fascista, parecida com tantas outras, não pode ser esquecida e deve ser contada aos seus filhos como um exemplo de coragem e crença inquestionável na Liberdade, valor primordial da vida mas, infelizmente, eternamente ameaçado.

É uma homenagem à geração de pais e mães nascidos nos anos 30 do século XX que, sem procurarem um lugar na história, protagonismo político ou de qualquer outra espécie, nunca se resignaram, arriscaram a vida, passaram pela prisão, exilaram-se e foram perseguidos para que nós possamos viver hoje num país melhor.

É uma história assumidamente panfletária porque essa característica remete para os tempos que descreve mas também porque acho que o momento que vivemos assim o exige.

Sérgio Pelágio, Lisboa, Março de 2019


quinta-feira, 19 de março de 2020

Ficar em casa


A propósito de ficar em casa, nesta luta colectiva contra um vírus, lembrei-me de três peças que fiz com a Sílvia Real (coreógrafa e bailarina) entre os anos 90 e a primeira década do séc.XXI que, de repente, me parecem surpreendentemente actuais: Casio Tone (1997), Subtone (2003) e Tritone (2007). O personagem principal é a Sra. Domicília. 






A ideia de CasioTone surgiu em NY quando eu e a Sílvia alugámos um apartamento minúsculo onde cada cantinho era aproveitado e o espaço estava pensado até ao mais ínfimo pormenor. Os sapatos ficavam de fora por causa dos vírus e das bactérias. Viver ali dentro implicou uma adaptação e um treino especial. Na peça, a Sra. Domicília toca o mini Casio Tone para se abstrair da sua vida confinada a 8m2. Tudo é branco e desinfectado.







Subtone  surge no período após o ataque ao World Trade Center em 11 de Setembro de 2001. A Sra.Domicília trabalha como segurança numa empresa em estado de alerta permanente. Na peça, há um intruso que é uma aranha e a reação da Sra.Domicília é bastante desproporcionada. 









Tritone ou as férias virtuais num hotel cápsula. O turismo. A Sra. Domícilia descobre o embuste, acaba com o teatro e desmonta o cenário num processo em que ela própria é engolida e desaparece.